Série Saúde Preventiva
Conversando Sobre Sexualidade
A
sexualidade é algo que vamos aprendendo e experimentando durante toda a vida.
Aprendendo? Pois é, diferente do que muita gente pensa, a sexualidade não é um
processo biológico, que só tem a ver com os órgãos sexuais e os hormônios. As
sociedades e as pessoas vão formando sua compreensão e vivência da sexualidade
ao longo do tempo. Os comportamentos, os desejos, as ideias são tanto
individuais quanto sociais.
Como as pessoas
e as sociedades mudam, a sexualidade também muda. Até pouco tempo atrás se
pensava que as mulheres não sentiam desejo sexual e só transavam para
engravidar e satisfazer seu marido. Já os homens podiam transar quando
quisessem , com quem quisessem e quanto mais cedo começassem, melhor!
Muita
coisa mudou, mas ainda há muito preconceito. Se não, como explicar o fato de
que as mulheres, jovens ou adultas, sejam chamadas de "galinhas"
quando ficam com muitos rapazes ou se já tiveram muitos namorados? Em que elas
são diferentes dos homens, que têm muito mais liberdade e se relacionam com
quem quiserem?
E as
discriminações que os gays e lésbicas sofrem todos os dias? Não podem namorar
na frente de ninguém e nem mesmo apresentar para suas famílias as pessoas por
quem estão apaixonados/as! Tudo isso é muito injusto e causa sofrimento. E é
por isso que as pessoas, principalmente as mais jovens, terminam por pensar e
viver a sexualidade como se fosse uma coisa feia, misteriosa, cheia de
proibições e medos, quando deveria ser uma experiência boa, que dá alegria e
prazer.
Muitas
pessoas acreditam que a sexualidade é uma necessidade física, como comer, beber
água, fazer xixi. Um instinto, como se diz por aí. Mas, se vocês pensarem bem
nas suas próprias experiências, num instante vão descobrir que é bem diferente,
não é?
Para o
desejo acontecer não basta apenas a ação dos hormônios, mesmo eles sendo muito
fortes na adolescência. O fundamental é que a pessoa se sinta estimulada e aí
pode ser uma lembrança, uma imagem, um toque, um cheiro,uma música e tantas
outras coisas...
Têm
momentos da vida em que o tesão fica mais forte, em outros ele nem aparece, e
isso é completamente normal. Afinal, a vida de todo mundo é repleta de muitos
acontecimentos, bons e maus, e isso se reflete na sexualidade.
Os afetos
também são muito importantes. Gostar de alguém, ter carinho, amizade, respeito,
confiança levam as pessoas a querer ficar juntas, se conhecer, se tocar, ter
prazer uma com a outra.
Além
disso, na vivência da sexualidade também entra o pensamento, não é só emoção; a
razão funciona o tempo todo e é o que faz as pessoas escolherem o momento, o/a
parceiro/a, o que se quer, ou não, experimentar.
Também é
muito comum se pensar que sexualidade é apenas transar, ou seja, algo que
acontece entre duas pessoas,jovens ou adultas, onde tem que haver contato entre
os órgãos genitais e penetração do pênis na vagina.
Esta é
uma forma muito antiga de se pensar na sexualidade e está ligada à ideia de que
transar tem a ver só com reprodução, com engravidar e ter filhos/as. Mas
reproduzir é apenas uma das coisas que pode acontecer quando as pessoas mantêm
relações sexuais, só que não é a única.
Uma
experiência sexual legal e gostosa oferece muitas outras possibilidades. Pode
ser realizada sozinho/a ou com outra pessoa. Beijar, abraçar, acariciar,
cheirar, tocar, lembrar, imaginar, podem dar muito prazer e alegria, não é
verdade?
É
possível experimentar várias coisas com o próprio corpo e com o das outras
pessoas, só não vale quando provoca sensações desagradáveis, dor, angústia,
medo nas pessoas envolvidas, ou quando um dos dois não está a fim.
Na
vivência sexual não se pode nunca obrigar alguém a fazer o que não está com
vontade, nem permitir que os outros façam isto com você. É um direito de todas
as pessoas não se submeterem a atos que não desejam. Infelizmente ainda é muito
comum que os rapazes queiram transar com as namoradas dizendo que assim elas
estão lhe dando “uma prova de amor”. Isto é um grande absurdo, pois transar com
quem se gosta pode ser ato de amor, paixão, carinho, respeito, mas nunca pode
ser “prova” de nada. Fazer sexo é uma experiência maravilhosa, que deve ser
compartilhada e desejada pelas pessoas que estão envolvidas, não deve ser
jamais uma obrigação, um constrangimento e muito menos um ato de violência.
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